Flora é uma dona de casa que cumpre um ritual diário enquanto espera o marido para o almoço. O que poderia ser a história de amor de um casal feliz, aos poucos revela um lado sombrio. Em um cenário despojado, com poucos elementos cênicos, entre eles três cadeiras e três buracos no chão, por onde os personagens entram e saem e que levam a um porão repleto de eletrodomésticos. Discussões e revelações acontecem em meio à tensão gerada pela iminente chegada do marido, levando Flora a um inevitável e doloroso reencontro com o passado que ela luta, em vão, para esquecer.

A peça faz uso de uma linguagem poética, mas não recitada, e máscaras, para abordar a mulher em um arquétipo triplo, moça, mulher e velha, metaforizado pelas fases da lua. Evelina, Flornela e Gilda: crescente, cheia e minguante. Filhas do viúvo Rosaldo, as três crescem isoladas do mundo como propriedades exclusivas do pai. Entretanto, tudo se desestrutura com a chegada de um jovem forasteiro. O conto se transforma na jornada de três velhas irmãs que viajam num espaço­tempo encantado à procura das portas do mundo, uma busca que empreendem por si mesmas e por um destino mais amoroso.

Um ensaio sobre Amaro é um ensaio sobre a tristeza, que se desenvolve no exato instante em que um ator que nega os seus próprios sentimentos se vê obrigado a reensaiar o seu personagem mais triste: Amaro. O ator e o personagem entram juntos em cena para travar um embate entre a melancolia e a euforia, a lealdade e o desapego, a aceitação e a necessidade de mudar. Brincando entre linguagens teatrais extremas, o espetáculo aposta na mescla entre dança, teatro de máscaras, manipulação de objetos, música e ilusionismo para convidar o público a uma conversa com a tristeza em tempos em que ela não é mais ouvida. 

Um  clássico de Nelson Rodrigues escrita no ano de 1957.O texto já ganhou diversas encenações por todo o Brasil e até mesmo pelo mundo. O marido traído que pede desculpas por ter sido enganado pela mulher é o mote dessa montagem. Depois de matar a cunhada infiel, Raul (Ernani Moraes) passa a vigiar ferozmente a sobrinha, sob o pretexto de preservar sua castidade. Mas Glorinha (Clarissa Kahane) acaba conhecendo o mundo dos bordéis ao mesmo tempo em que prepara uma terrível vingança contra o tio.
Batizada com o título original do livro, “Meu Saba” (meu avô), a primeira montagem livremente inspirada na obra tem direção de Daniel Herz e consultoria dramatúrgica de Evelyn Disitzer. O espetáculo se passa nos trinta segundos que Noa leva para se levantar e chegar ao palanque onde fará uma homenagem ao seu avô. Ela foi escolhida pela família para falar no dia do funeral de Yitzhak Rabin. Insegura, ela revive emoções em um jogo narrativo que mistura as lembranças da infância marcada pela tragédia e resgatada pelo amor de sua família, o medo constante, o impacto caótico da guerra, o ódio de fora e também de dentro do país.
Ouvi dizer que a vida é boa, a nova montagem da CIA DRAMÁTICA DE COMÉDIA é uma   narrativa musical, com texto original do autor e diretor da companhia, João Batista. Com este trabalho, o grupo, que em 2018 completa 24 anos de existência, dá prosseguimento à pesquisa de linguagem que vem caracterizando algumas de suas mais recentes encenações: O HOMEM DA CABEÇA DE              PAPELÃO (2008) e A CAOLHA (2010) e MÚSICA NO AR (2014).
O espetáculo é inspirado, na entrevista que o diretor leu num jornal onde a matéria se referia a terceira idade.
A história da senhora de 75 anos, já doente, praticamente sem sair mais de casa afirmava que um grande sonho que nunca havia realizado era “ver o mar”. Sendo assim, o diretor embarcou na história                 utilizando-a como ponto de partida para a construção da ficção que retrata a história de uma mulher que passa pela vida sem efetivamente viver; sabendo de tudo por “ouvi falar”.
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